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20.11.11

um rato

eu tenho um rato aqui no meu banheiro, que não faz mais barulho mas que não me deixa dormir.
antes ele fazia muito barulho, como uma criança, inconseqüente.
agora não. ele fica quieto, mas não consegue disfarçar. quando saio, percebo que ele invade meu espaço, porque cada vez mais falta uma parte do meu tapete. ele não consegue ser discreto, deixa pedaços desiguais pelo caminho. acredito que ele, conscientemente não queira chamar a minha atenção, mas ele chama. Não sei se a senhora rata percebe, não sei nem se a senhora rata existe, ou se ele vive só.
mas ele tá aqui, agora perto de mim, escondido silencioso.
eu não tenho medo dele. acho que ele que tem medo de mim.
e não me deixa dormir.

15.6.11

Daqui da minha janela

Vejo a cidade lá embaixo, muitos prédios, casas e ruas. Vejo o mar lá longe, vejo um pouco da ponte.
Daqui da minha janela vejo as cidades que vou conhecer, o inesperado que me espera, as outras línguas, o xale que terei que usar, o frio que vou passar. Daqui da minha janela eu vejo muita coisa.
Mas não sei de nada.

29.1.11

Eu tava lá em Teresópolis na brigada Saint German. Tava aqui de bobeira, me estressando com coisinhas pequenas e resolvi ir para lá ver o que poderia fazer para ajudar.
Agora tenho um puff na minha cabeça.
Mesmo lá há coisas boas e há mal caratismo, desastre e felicidade.
Separei roupas boas e velhas e sujas, rasgadas. Peguei criança no colo, lavei louça, entrei na cachoeira de biquíni preocupada para que ninguém caísse nas pedras.
Vi as estrelas chapada na estrada. Ouvi Elis, assim, como quem não quer nada.
Conheci novas pessoas, novas formas de pensar e de viver,  voltei para cá.

Retomando os trabalhos, segue abaixo uma matéria com o Fábio, o diretor que escolhi para ir comigo no FUSCA LARANJA para o bem e para o mal, na alegria, na tristeza, nas brigas e nos amores, nos vinhos e vistas até que a estréia nos separe (ou não).
Na matéria fala um pouco já do FUSCA.
Fica também a dica do Barba Azul que está no Laura Alvim.






17.11.10

Mais outra de amor

Acabei de voltar do casamento do meu irmão. Três dias de festa, muita comida, música, gente, chuva e festejos.
Assim que vi a minha tia/mãe entrando de braço dado com ele me pus a chorar. Assim que a noiva entrou, com o buquê na mão, tremendo,olhando o noivo que sorria divinamente chorei, como um bezerro desmamado.
Tava na primeira fileira e chorava, não tinha controle, as lágrimas vinham como cachoeira, não tinha lenço, então minhas mãos íam ficando molhadas, eu as enxugava no vestido mesmo, dourado.
No dia seguinte uma das madrinhas quado descobriu que eu era a irmã do noivo, agora marido, entendeu porque "aquela moça na primeira fileira que ela nunca tinha visto antes estava vermelha de tanto chorar".
Pode ser pelo fato de ser a irmã...(Minha tia quando viu falou "não chora não, você também vai se casar um dia Camilinhalelê!" E começamos a chorar e a rir histericamente.)

Mas fico achando que é realmente bonito se fazer uma grande festa em comemoração ao amor. A felicidade da união.
Na hora dos juramentos fiquei tensa, não me imaginaria jurando tanta coisa a alguém. Mas bem que queria e muito, um dia poder jurar esse amor eterno.
Quando eu casar não quero ninguém falando no meu ouvido o que tenho que dizer, quero que as frases venham daqui de dentro, do fundo da minha alma.


E que sejamos felizes, para sempre.

9.2.10

Deus neo Platão

Aqui no Recife é quente, mas tem brisa. Uma brisa contínua que quase me deixa com pneumonia.
Aqui no Recife se pode assistir a ótimos shows daqui, de graça, com a brisa vinda do mar, com red e johnnie a 5 reais e latão a 2.
Aqui no Recife cheira-se cocaína em pé ao lado dos maconheiros, sem o menor pudor.
Aqui no Recife as baratas são mais lentas que as do Rio, tal qual as motos. Estão em toda a parte nas ruas, mas andam lentamente.
Aqui no Recife tem um castelo dentro de um bairro pobre, em que a senhora no ponto de ônibus diz que é muito bom morar.
Aqui no Recife vejo tudo de longe, como se tivesse trancada em casa sonhando e não pudesse sair.
Aqui do Recife dá para ir a João Pessoa em menos de duas horas.
Aqui no Recife só existem casais, os solteiros são de fora.
O motorista que me leva no castelo diz que se fosse para ter religião seria espírita, porque acha que tem mais a ver com o que ele acha da vida.
Afinal Deus é o neo Platão.




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