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10.5.12

aula de balé

no dia em que a minha mãe morreu, eu fiquei em casa vendo a xuxa, foi isso que a minha mãe me pediu, para que no seu enterro eu ficasse em casa vendo tv. depois eu fui para a aula de balé. aquela música triste me fez chorar enquanto eu fazia os movimentos pesados de forma leve.
ontem na aula de balé, 24 anos depois, senti a mesma tristeza, eu era a mesma menina, do dia em que a minha mãe morreu, na aula de balé. aquela música triste, um esforço enorme e o disfarce da leveza.
estava novamente só, no meio de todas as moças.







23.4.12

coisa mais legal falar palavras numa língua que se desconhece, nunca falou, não sabe o significado, apenas tenta copiar o som da melhor maneira possível.
coisa mais linda, me segurei, mas não resisti, comecei a chorar.
respirei.
retornei.
coisa mais linda.

21.12.11

Viva

A chuva, céu nublado, neve. Quando vem o sol, é dádiva!!! Mas acaba cedo ou muda logo.
Tenho um quarto no último andar do prédio com uma janela que dá para o céu, fico sempre iluminada pela noite ou pelo dia, na presença das estrelas, da lua, mesmo com a neve escorrendo ou a chuva sapateando, de vez em quando tenho a honra de ter a companhia do sol.


                             Wranglerstrasse, Berlin

28.11.11

2 meses em Berlin.
Ando apaixonada por essa cidade, não penso em voltar enquanto essa paixão não acabar.
Hoje revi esse vídeo que as minhas amigas (Flávinha Espírito Santo e Pri Fialho) fizeram na minha despedida no Parque Laje no Rio.
Eu toda cheia de sacolas, recolhendo as coisas do piquenique, com o cabelo tão escuro meu deus! eu não pintei, juro!!
Enfim, posto aqui o vídeo, com meus amigos, que dia gostoso, que seguiu na noite.
Saudade doce.





20.11.11

um rato

eu tenho um rato aqui no meu banheiro, que não faz mais barulho mas que não me deixa dormir.
antes ele fazia muito barulho, como uma criança, inconseqüente.
agora não. ele fica quieto, mas não consegue disfarçar. quando saio, percebo que ele invade meu espaço, porque cada vez mais falta uma parte do meu tapete. ele não consegue ser discreto, deixa pedaços desiguais pelo caminho. acredito que ele, conscientemente não queira chamar a minha atenção, mas ele chama. Não sei se a senhora rata percebe, não sei nem se a senhora rata existe, ou se ele vive só.
mas ele tá aqui, agora perto de mim, escondido silencioso.
eu não tenho medo dele. acho que ele que tem medo de mim.
e não me deixa dormir.

7.9.11

estava lá. e agora era a minha vez de ficar deitada na maca, com as pessoas falando alto, fazendo barulho. tinha até uma obra do lado de fora para me acordar no susto. e aquele soro enfiado na veia. lembrei de você, minha avó e o sangue que escorria, nunca vou me esquecer. fechei os olhos e chorei um pouco. um amigo me ligou na hora, contei a ele meio chorando que estava na emergência, sozinha, sim, não tinha problema, o problema maior era descobrir porque eu estava lá.
porque a vida vai dando sustos,
eu sei.
ô!

1.9.11

Porque é chato, porque é difícil, porque devemos satisfação, porque os amigos necessitam presença, compreensão, amor, amizade, parceria, porque não querem a sua tristeza, porque não aturam grosseria, mas eu sou grossa, agressiva, egoísta, porque hoje quero ficar na cabana, desmarcar as coisas, não existir porque hoje não quero nada, não pensar, só viver, respirar, olhar, comer, tomar banho, ler, ver um filme, dois, não ver nada, sem ligar o telefone, deixar o corpo descansar, mandar todos á merda, todos á merda, inclusive eu.

21.7.11

hoje

Ando tão a flor da pele, acordei tão a flor da pele me joguei no sofá e lá fiquei, triste, vazia com medo chorei no sofá branco em frente a janela que dá para a vista do Rio, do meu rio, que irei, que deixarei as caixas encaixotadas, encostadas na parede a espera de ir sem casa, sem base, sem destino traçado grávida a espera
.
.
.
.
o choro vem, o telefone toca o e-mail vem vem vem vem vem eu ligo de volta eu tomo uma bronca (?) agora sem volta/ volta? - pode voltar
mas eu não quero voltar acho que não não
N˜AO QUERO

choro não quero

conversamos mais tarde
sou convidada para ir ao cinema
desisto do show

encaixoto o passado agora é agora estou grávida preciso parir antes que ele saia pela boca perco o chão a estabilidade

agora é preciso viver não é.
chove?

faz um sol lindo lá fora
aproveite.

18.7.11

a louca do fusca laranja

Hoje perdi o freio mais uma vez
do humaitá a santa teresa, passando pela lapa

o fusca laranja sem freio
ainda bem que tinha um homem do meu lado que me fazia rir

claro que eu estava rindo de nervoso
mas é sempre bom alguém do seu lado
que te faz rir na hora de toda a desgraça


cheguei em casa, bebi um vinho

é bom perder o freio
para ver no que vai dar



9.7.11

33 anos

Hoje eu faço 33 anos.

Desligo a tv e o telefone para escrever. O sol lá fora, pela janela aqui da sala, dia lindo. Eu sabia que no meu aniversário teria sol, sempre tem! Sempre vou a praia nesse dia, que é o lugar que mais gosto de estar, perto do mar.
Mas hoje não vai dar porque é com muita felicidade que verei o mar em cena " e tudo ficou verde da cor dos olhos do meu irmão, da cor, do mar, do mar!"
Acordo e agradeço por esse ano que passou, pelos meus sonhos realizados e a felicidade em seguir um caminho que construo, aos poucos, todos os dias.
O carinho dos amigos, dos colegas e conhecidos é sempre muito bom, mas só, eu sei quem realmente faz parte da minha vida nessa camada mais profunda. Continuar de mãos dadas depois de tiros, trovões e tempestades é que são elas.

Hoje faço 33 anos, "eu sou Jesus Cristo!"
E meus amigos, são minha família, aquela que não é de sangue, mas é de espírito.

Agora vou voar pela janela, até chegar na praia onde o amor anda na areia, beirando o mar.


(as citações são trechos do livro de Rodrigo de Souza Leão, Todos os Cahorros são Azuis)

3.7.11

Era para mim

Acordei ouvindo a música, que entrava pela minha janela numa ensolarada manhã de sol. Não sei se era do vizinho, da janela ao lado... mas a música entrava aqui, no meu quarto refletindo claro os lençóis brancos, o acordar preguiçoso, os cabelos desgrenhados, o prazer indescritível desse presente.


15.6.11

Daqui da minha janela

Vejo a cidade lá embaixo, muitos prédios, casas e ruas. Vejo o mar lá longe, vejo um pouco da ponte.
Daqui da minha janela vejo as cidades que vou conhecer, o inesperado que me espera, as outras línguas, o xale que terei que usar, o frio que vou passar. Daqui da minha janela eu vejo muita coisa.
Mas não sei de nada.

28.5.11

A Dona do Fusca Laranja





E hoje é o último dia no Oi Futuro do Flamengo

24.5.11

Uma carta para

Minha mãe,

Hoje quando almoçava em um restaurante vegetariano, faminta depois de um teste que durou 3 horas e correndo antes da minha consulta no otorrino, pensei em te escrever. Que delícia são esses restaurantes vegetarianos, a energia é outra, a música, as pessoas, as mesas e cadeiras, a decoração... sai de lá renovada.

Por aqui está tudo bem. Parece que estou me tornando (e finalmente) adulta minha mãe. Consigo pagar as minhas contas e ainda sobra para guardar, penso em ir finalmente passar uns meses fora do país, aprender outra língua e conhecer novas referências.

Me mudei para um lugar muito bonito, da minha janela da sala eu vejo o céu que é um escândalo a qualquer hora do dia. Fica em cima de uma montanha, fico em cima da cidade e não me sinto sozinha. Tinha medo de me mudar para Santa e me sentir solitária, mas não, acho que ando mais forte do que nunca. Ando um tanto carente, isso não posso negar, essa coisa de estar em cartaz, ser vista por várias pessoas, ser aplaudida e admirada e voltar para casa sozinha após jantar com os amigos é bom, mas extremamente solitário.

Aqui onde moro por incrível que pareça fico melhor e gasto menos. Continuo ouvindo jazz, lendo muitos livros ao mesmo tempo e esperando o meu príncipe chegar com um sorriso no rosto e flores nas mãos. Saí da terapia, mas converso muito com os meus amigos (coitados..), principalmente com o Grillo que é psicólogo, ele me disse que tenho que rever essa minha "listinha"de características fundamentais que quero em alguém. Enquanto isso vou me decepcionando por aí.., e esperando que o meu grande peixe nadador volte e seja daquele jeito que eu sempre achei que ele fosse e me leve para o seu mundo de medalhas de ouro, onde tudo brilha, onde tudo é dourado..... (???)

No mais e muito importante que continuo nos meus trabalhos, agora descobrindo novas parcerias, vendo que sozinha, sozinha, não dá né? Eu demorei para descobrir que a "cia do eu sozinha" acaba na próxima esquina, que é difícil, mas fundamental termos pessoas a nossa volta.

Estou com laringite novamente, parece que sempre que faço algo que fala de mim fico com problemas na voz. Quem manda ser tão sensível que sente no corpo tudo o que faz?

Minha mãe, eu sempre espero que voçê e meu pai estejam por perto. Espero que a minha avó tenha me perdoado por aquelas situações no hospital, que foram muito fortes para mim e ainda sofro com isso quando lembro. Estou ensaiando uma outra peça, Todos os Cachorros são Azuis, o processo tá meio phoda, porque as pessoas são muito diferentes de mim, mas o texto do Rodrigo minha mãe, é muito lindo, e é por isso que não vou embora, porque acho que tenho que fazer a coisa mais linda que posso conseguir fazer para ele. E como ouvi "o pirata não abandona o barco, ele se fortalece com a tempestade", e sei disso, muito bem, vou me fortalecer um pouco mais, falta quase pouco para acabar essa tempestade e rezo para que fique muito bonito tudo e sempre foi por isso que briguei, porque sou briguenta né??? (Lembrei do meu pai agora...)

Estou dando andamento na continuação do Fusca, penso já em um outro projeto, ainda no embrião, mas quero colocar os textos do meu pai também para jogo!!! É uma questão de tempo!
No mais, tudo indo, espero que bem , espero que no caminho do bem, espero trabalhar para tocar em alguma parte do outro, o astrólogo falou isso, na minha missão, que era entrar muito profundamente em mim, refletir e jogar para fora, transformar em arte. Fiquei feliz e acho que devo estar nesse caminho... Achei duca! E ele abriu o mapa assim, sem nem saber que eu era atriz, sem nem imaginar que eu gosto é disso mesmo, de falar de mim para falar dos outros.

Queria muito que você tivesse aqui para a gente tomar um vinho aqui na minha sala com vista para o centro do Rio, conversar sobre tudo isso e muito mais.
Mas como é impossível, então escrevo e mando para o mundo.

Minha mãe, agradeço por essa herança que me deixou, ainda mais com meu pai, dessa super sensibilidade, persistência e loucura, mas espero que isso não me leve para o mal, nunca, nem para mim, nem faça mal para os outros.

Espero paz minha mãe, e amor, muito amor.

com AMOR

Camila
Foto de Cindy Sherman

3.4.11





Hoje eu chorei,

6.3.11

é carnaval e tá chovendo.

mesmo assim o povo sai nas ruas. é o momento felicidade.
o que me irrita é esse momento felicidade obrigatório.
mas adoro blocos com marchinhas e boa música, que não estejam cheios. ...
mas também não consigo mais sair sóbria como fazia anos atrás, só na coca-cola, sem comer nada o dia todo, nem dormia... acordava cedo colocava o short, o tênis e saía feliz.

agora chapo todas, volto para casa sem lembrar como e durmo.
e acordo sóbria, com as minhas obrigações e meus problemas, e minhas dores de cabeça e seus desdobramentos.
eu sou uma mulher de 32 anos e sinto no meu corpo, nas minhas feridas e doenças,  a minha idade.

e no meio do carnaval, enquanto a felicidade predomina lá fora, entre músicas, bêbados e fantasias, me esforço como uma boa aluna aplicada que preciso ser no momento.

mas ando sempre muito sóbria ou muito doida.
minha cabeça dói.
vai passar. eu sei.

26.2.11

finito

preciso ser mulher de um homem só
parece piada
mas se isso não acontecer 
posso até 
morrer





29.1.11

Eu tava lá em Teresópolis na brigada Saint German. Tava aqui de bobeira, me estressando com coisinhas pequenas e resolvi ir para lá ver o que poderia fazer para ajudar.
Agora tenho um puff na minha cabeça.
Mesmo lá há coisas boas e há mal caratismo, desastre e felicidade.
Separei roupas boas e velhas e sujas, rasgadas. Peguei criança no colo, lavei louça, entrei na cachoeira de biquíni preocupada para que ninguém caísse nas pedras.
Vi as estrelas chapada na estrada. Ouvi Elis, assim, como quem não quer nada.
Conheci novas pessoas, novas formas de pensar e de viver,  voltei para cá.

Retomando os trabalhos, segue abaixo uma matéria com o Fábio, o diretor que escolhi para ir comigo no FUSCA LARANJA para o bem e para o mal, na alegria, na tristeza, nas brigas e nos amores, nos vinhos e vistas até que a estréia nos separe (ou não).
Na matéria fala um pouco já do FUSCA.
Fica também a dica do Barba Azul que está no Laura Alvim.






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